Dúvidas

Qual é a diferença entre técnicas de baixa complexidade e de alta complexidade?


A relação sexual programada e a inseminação intrauterina são denominadas técnicas de baixa complexidade. Não existe aspiração folicular e a fertilização ocorre no organismo materno. Já as técnicas de alta complexidade são consideradas invasivas. Existe captação de óvulo através da aspiração folicular, os oócitos vão ser colocados em contato com os espermatozoides para fertilização in vitro ou no organismo materno.

Quanto tempo dura o tratamento?


Os tratamentos de Fertilização in Vitro, na maioria das vezes, podem ser iniciados após o uso de alguns medicamentos que irão preparar o organismo feminino para ter a melhor resposta possível aos indutores da ovulação. Esses medicamentos podem ser anticoncepcionais orais, estrógenos isoladamente e ou análogos do GNRH. Após essa etapa que leva de 07 a 21 dias, após a parada dos medicamentos preparatórios do ciclo, cada tentativa dura em média 20 dias.

Durante esse período o casal será acompanhado pelo seu médico e realizará a coleta de óvulos, de sêmen, cultivo embrionário, transferência de embriões e exames de ultrassonografia seriada.

Quando o casal deve procurar ajuda?


O casal deve procurar ajuda médica caso não consiga engravidar após um ano de relações sexuais regulares, sem uso de métodos de contracepção temporário. No entanto, esse tempo pode ser menor (seis meses) para mulheres com mais de 35 anos, história de endometriose, apendicite e relacionamentos anteriores com dificuldade para engravidar.

Quais as principais causas de infertilidade no homem?


As principais causas de infertilidade masculina podem ser alterações na produção de espermatozoides (provocadas por doenças infecciosas, alterações hormonais, alterações imunológicas, fatores ambientais), obstruções anatômicas, doenças como diabetes mellitus, problemas do sistema nervoso central ou tumores de hipófise.

Quais as principais causas de infertilidade na mulher?


As principais causas da infertilidade feminina são alterações de ovulação, lesões nas trompas uterinas, endometriose, fatores cervicais, fatores uterinos, idade. Também pode ocorrer a infertilidade sem causa aparente.

Quais são os tipos de medicamentos utilizados para o tratamento de infertilidade e como são utilizados?


Os medicamentos utilizados para esse tratamento são hormônios que irão estimular a produção de óvulos, podendo ocorrer sua liberação (baixa complexidade) ou não (alta complexidade). Após avaliação médica a dose e o tempo de tratamentos serão analisados para cada caso. Na maioria das vezes, são de uso nasal, injeção subcutânea, injeção intramuscular, via oral e vaginal.

Há efeitos colaterais associados com o uso de terapias hormonais?


Estudos clínicos mostram que as terapias hormonais no tratamento de infertilidade são seguras e eficazes. No entanto, como qualquer medicação, é possível o aparecimento de alguns efeitos colaterais como, retenção de líquido, aumento da oleosidade da pele, dor abdominal e dor de cabeça. Porém, existem alternativas para amenizar esses efeitos que serão estabelecidos conforme orientação médica.

Ocorrendo a gravidez, o pré-natal será diferente?


Não, a paciente é encaminhada ao seu obstetra para acompanhamento do pré-natal. Nas 12 semanas iniciais da gravidez, serão utilizadas algumas medicações que deverão ser comunicadas ao seu médico.

É possível engravidar após os 40 anos?


Sim. A doação de óvulos de uma mulher mais jovem é a opção mais assertiva para quem deseja engravidar nesta idade. As chances de gestação a partir do próprio óvulo são consideravelmente menores após os 40 anos, mesmo utilizando técnicas de alta complexidade.

Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) podem engravidar normalmente?


Sim, desde que tenham uma boa orientação médica. São mulheres que apresentam um quadro clínico de anovulação crônica (ausência de ovulação) e, para que ocorra a gravidez, é necessário fazer um tratamento adequado. O importante nestes casos é saber se o peso da paciente está adequado em relação à sua altura, se existe pelo menos uma trompa uterina com boa função e se o parceiro possui uma qualidade de sêmen adequada. Após esta avaliação, serão prescritos medicamentos para induzir a ovulação, de acordo com cada caso.

O que é vitrificação?


É uma técnica de congelamento de amostras biológicas. Pode se utilizada no congelamento de óvulos, embriões e fragmentos teciduais, como fatias de córtex ovariano. Faz parte das chamadas “técnicas de congelamento ultra-rápido”. O princípio fundamental da vitrificação reside na necessidade de remover o máximo possível de água das células através da adição de altas concentrações de crioprotetores (moléculas com grande afinidade pela água), promovendo a solidificação das células sem que haja a formação de cristais de gelo intra e extracelulares, permitindo assim o armazenamento de materiais biológicos por tempo indeterminado, sem que haja perda de atividade funcional e ou alteração genética. Esse processo é determinado pela extrema elevação da viscosidade e rápidas taxas de resfriamento e aquecimento.

Quando a vitrificação de embriões é indicada?


A vitrificação é uma técnica de congelamento, não um tipo de tratamento de infertilidade. Ela será indicada, como qualquer outra técnica de congelamento, para o armazenamento de embriões. Isto pode acontecer nos casos de síndrome de hiperestimulação ovariana, em que são produzidos mais embriões do que o necessário para serem transferidos neste ciclo, ou quando o endométrio não se encontra em condições adequadas.

Qual é o percentual de recuperação de embriões vitrificados?


A taxa de sobrevivência pós-descongelamento é superior a 90%. Este número não significa taxa de gravidez e sim a taxa de embriões recuperados. Os embriões de baixa qualidade continuam desta forma após descongelados.

Qual é o destino dos embriões congelados?


A atual legislação brasileira permite quatro alternativas:

– O próprio casal utilizar para uma nova tentativa para engravidar;

– Doar os embriões para um casal residente a cerca de 1.000 km de onde foi realizado o tratamento;

– Após três anos de congelamento, doação para centro de pesquisa de células tronco;

– Manter os embriões congelados.

Quando há indicação para congelamento de sêmen?


Quando se deseja utilizá-lo no futuro – por razões de quimioterapia, vasectomia, viagens, entre outros – ou quando há risco de não conseguir material suficiente para o tratamento no dia da coleta de óvulos.

Por quanto tempo o sêmen pode ficar congelado?


Tecnicamente não há limite de tempo.

Existe um número mínimo de embriões para vitrificação?


A vitrificação é uma técnica de descongelamento, portanto o número de embriões congelados depende da finalidade do congelamento. Então o número mínimo de embriões para o congelamento será de 1 (um).

Até quantos embriões podem ser transferidos?


O número de embriões a serem transferidos segue a resolução CFM nº 1.957/10, que considera que até 35 anos a transferência é de 2 embriões; de 36 à 39 anos é de 3 embriões; e acima de 40 anos são 4 embriões.

Existe perda significativa de qualidade e quantidade após descongelamento do sêmen?


Sim, quanto menor a qualidade da amostra maior a chance de perda.

Quais são as alternativas de tratamento em casos de pacientes que tenham feito vasectomia?


Os pacientes vasectomizados não possuem espermatozoides no ejaculado. Para isso, recomenda-se a retirada de espermatozoides diretamente do testículo ou do epidídimo para a realização de Técnicas de Reprodução Assistida. Nesse tipo de tratamento existem grandes chances de recuperar espermatozoides de boa qualidade.

Como é o procedimento de fertilização in vitro (FIV)?


Esta técnica é realizada no laboratório de embriologia. Após a obtenção, seleção e preparo de óvulos e espermatozoides, ambos são colocados numa placa para que haja a fertilização espontaneamente. A seguir, os óvulos fertilizados são acompanhados em seu desenvolvimento, sendo transferidos após três a cinco dias para a cavidade uterina com cateter específico. O número de pré-embriões transferidos varia de um a quatro, de acordo com o caso.

Em quais casos a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) está indicada?


A ICSI está indicada, principalmente, nos casos de fator masculino grave, quando a quantidade de espermatozoides é muito baixa ou ausente na ejaculação. O procedimento auxilia o processo de fertilização através da injeção direta de um espermatozoide no citoplasma do óvulo.

Os óvulos coletados, através da punção de ovário após o estímulo ovariano, são preparados para a injeção, e os espermatozoides são imobilizados mecanicamente por um golpe com pipeta de injeção. A seguir, o espermatozoide é aspirado pela cauda para dentro da pipeta. O óvulo é fixado pela pipeta de fixação (holding) e o espermatozoide é injetado delicadamente em seu interior. Essa técnica auxilia o processo normal da FIV.

Como esse procedimento (ICSI) é realizado?


Esta técnica consiste na injeção de um único espermatozoide diretamente no interior do óvulo, através de técnica de micromanipulação dos gametas. Os óvulos serão fertilizados e, após acompanhamento e seleção, os pré-embriões serão transferidos como na FIV clássica.

Como funciona a ovodoação?


Mulheres que não possuem óvulos de boa qualidade, que tenham retirado seus ovários ou entrado na menopausa precoce, só terão chances de engravidar através da doação de óvulos de outra mulher. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza esta prática, mas com preservação de sigilo para ambas as partes.

Em quais casos a fertilização in vitro (FIV) é indicada?


Esta técnica é indicada em casos de: tentativa sem sucesso de uma FIV clássica, fatores imunológicos seminais, fatores masculinos graves com a utilização de poucos espermatozoides do ejaculado ou obtidos por procedimentos cirúrgicos, etc.